3° Tabelionato de Protesto de Títulos de Belo Horizonte

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ESTELIONATÁRIOS FINGEM SER DE CARTÓRIO PARA APLICAR GOLPE

 

Um golpe aplicado por estelionatários tem dado mais prejuízo a pessoas que tiveram dívidas protestadas em cartórios de Belo Horizonte. Os criminosos usam as informações dos devedores, publicadas em jornais, para convencê-las a depositarem os valores na conta dos golpistas. Cada um dos quatro tabelionatos de títulos de protesto da capital registra pelo menos uma queixa por semana. Há um caso em que uma única vítima desembolsou R$ 30 mil imaginando ter quitado uma dívida antiga.

O problema vem acontecendo há pelo menos dois anos, segundo um tabelião de cartório de protesto, que pediu para não ter o nome revelado. Ele explica que os principais alvos do golpe são, geralmente, empresas. Quando elas têm dívidas protestadas pelo banco ou por credores e não são localizadas por funcionários dos cartórios para a notificação, a cobrança é publicada em jornais.

A partir das informações disponibilizadas, os criminosos ligam ou mandam e-mails para os devedores, se passando por funcionários do cartório. "Eles informam o número da conta deles e dizem que o pagamento tem que ser feito em até 24 horas. O dono da empresa, ao verificar que seu nome está mesmo publicado no jornal, acaba, por medo de ter o nome de seu empreendimento sujo no mercado, depositando o valor", explica o tabelião. O golpe acontece também com pessoas físicas, que têm dívidas em lojas, supermercados e outros estabelecimentos comerciais.

Ainda segundo o tabelião, os criminosos primam pela organização, uma vez que, quando a vítima suspeita da cobrança, os golpistas oferecem números de telefone para que o devedor ligue mais tarde, dando resposta sobre o depósito. "Do outro lado da linha, atendem pessoas que se passam por funcionários do cartório", conta o tabelião. Entretanto, ele afirma que erros grotescos de português nos e-mails dos estelionatários são indicativos de fraude que as vítimas precisam observar.

Se cair no golpe, o devedor só percebe o esquema quando vê que o nome foi incluído em serviços de proteção ao crédito.

Vítimas. Um médico que preferiu não ter o nome divulgado caiu no golpe. A clínica dele, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, devia R$ 8.000 e teve as informações publicadas em um jornal, em janeiro. Ele recebeu uma ligação dos golpistas pedindo que fizesse um depósito do total da dívida, mais a taxa do cartório - o valor depende do montante devido. O dinheiro foi depositado em uma conta com o nome Tabelião de Protesto de Títulos.

"Depois da ligação, comprei o jornal e ao ver o nome da minha clínica publicado, entrei em pânico e quis logo pagar a dívida para não sujar o nome da minha empresa", lembra o médico. Ele só descobriu que foi vítima de um golpe depois que o nome da empresa ficou sujo.

A auxiliar de cartório Bruna Santos conta que recebe todos os dias entre três e cinco ligações de empresas ou pessoas físicas contando que foram procuradas por golpistas. "Essas pessoas desconfiam das ligações e dos e-mails e ligam para saber se podem mesmo fazer o depósito", conta.

Foi esse o caso de Lidiane Camargo, gerente de um salão de beleza. Ela só não caiu no golpe porque resolveu confirmar a origem do contato. "Nós desconfiamos do e-mail e resolvemos ligar para o cartório", diz.

A reportagem de O TEMPO teve acesso a cinco e-mails enviados às empresas por golpistas. Três deles eram do mesmo remetente, denominado Serviço Central de Protesto de Títulos. Nos e-mails, aparece um telefone que não funciona mais.

Investigação

Denúncia. A Polícia Civil não soube informar se já investigação sobre o caso e explicou que isso só pode ser feito mediante denúncia. Os cartórios e as vítimas ouvidas pela reportagem não procuraram a polícia.

Criminosos fingem ser funcionários de cartório para aplicar golpes em SP - cobranças dos falsos funcionários são feitas por telefone ou por e-mail. Especialista alerta que cartório não aceita pagamento em depósito.

Golpistas se passam por funcionários de cartório para cobrar dívidas inexistentes e fazem vítimas pelo telefone e pela internet.

O aposentado Egberto Ventura pagou uma dívida de quase R$ 2.800 acreditando que o estúdio de pilates da filha devia esse valor a uma empresa de publicidade. Antes de pagar, ligou para o suposto credor e foi atendido por um golpista.

“Fui assaltado moralmente e não com uma arma na cabeça. Você começa a se culpar e se recriminar, se achar um nada”, diz o aposentado. Para a filha dele, o sentimento é de revolta. “A gente anda com tanto medo de ser assaltado, blinda o carro, não sai nos horários de risco e, no fundo, o risco está ali na nossa própria casa”, diz a fisioterapeuta Camila Ventura.

A estelionatária ligou fingindo ser da empresa Publical, que existe, ao contrário da tal dívida. O advogado da empresa disse que só nos últimos seis meses recebeu mais de 20 ligações de pessoas que desconfiaram da armação. “No site da empresa colocamos com destaque um aviso de que pessoas que receberem ligação com cobranças em nome da Publical para ignorarem”, diz Marcelo Calderon, advogado da empresa.

Por telefone, a fraudadora seguiu um comportamento padrão nesse tipo de golpe: identificou-se como funcionária de um cartório. Só que quem trabalha de verdade em cartório orienta: funcionários não ligam para devedores pedindo pagamento de contas por meio de depósitos em conta corrente.